As Eleições em Sumaré: ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais...

Por Professor Diego Vilanova Rodrigues 21/11/2020 - 16:47 hs

No último domingo, 15 de novembro, mais de 130 mil moradores de Sumaré foram às urnas para eleger Prefeito e Vereadores. Para o cargo máximo do executivo municipal o resultado confirmou as expectativas de reeleição do atual prefeito Luiz Dalben, como é característico em candidaturas à reeleição a chapa vencedora contou com um leque amplíssimo de alianças somando 12 legendas na coligação intitulada “A força do Bem”. Bastante heterodoxa e, porque não dizer, até inusitada, vimos sustentando o mesmo palanque o PT do ex-presidente Lula e o PSL que elegeu o atual Presidente Bolsonaro e mais tudo o que se possa imaginar entre esses dois extremos do espectro político. Indiscutivelmente a população de Sumaré que foi votar optou em sua maioria (mais de 60% ou 67.571 votos) pela continuidade da atual administração, dando em outras palavras e em algumas interpretações, o indicativo de que a municipalidade segue o rumo certo. As outras três candidaturas opositoras somaram pouco mais de 40 mil votos com destaque a candidatura do decano vereador Décio Marmirolli que obteve 22,79% dos votos. Seguido pelo Patriota Guilherme Dallorto que obteve 13,13%, uma ironia do destino cravar duas vezes o 13 no percentual de votos, uma vez que sua campanha foi marcada por duras críticas aos governos petistas. Por fim, em quarto lugar, o ex-secretário de segurança pública e advogado conhecido na cidade Dr. Roberto Guimaraes que obteve pouco mais que 3% dos votos válidos. Se no executivo permaneceu “tudo como dantes no quartel de Abrantes” parafraseando o emissário português que em 1805 dia após dia avisava Dom João VI sobre as movimentações dos franceses que haviam ocupado Abrantes e miravam Lisboa, e que em suma, significava que não tinha nenhuma novidade.  No legislativo uma aparente renovação se fez na Câmara de vereadores, dos 21 postulados à vereança, apenas 9 se reelegeram, ou seja, na próxima legislatura teremos 12 novos rostos compondo o plenário. Nesse ano a eleição foi marcada pela estapafúrdia quantidade de candidatos à vereador (mais de 400) e pelo contexto de pandemia que postergou a eleição e limitou em muito a campanha tradicional. O atual presidente da Câmara, William Souza, foi reeleito vereador com a maior votação do pleito (mais de 4000 votos), consolidando um espaço de uma atividade parlamentar mais diretiva, com visibilidade e de retorno ao seu fiel eleitorado, foi seguido na votação pelo novato André da Farmácia (2500 votos) que aparentemente herda o eleitorado e a popularidade do pai que é secretário municipal e ex-vereador e em terceiro temos o veterano Joel com mais de 2000 votos. De fato, mudaram pessoas, mas a composição da câmara pouco muda. Dos 12 partidos que compunham a coligação que reelegeu o prefeito Luiz Dalben apenas 3 partidos não elegeram vereadores, são eles o PSL, Solidariedade e Progressistas. Evidentemente que a composição da câmara segue sendo fortemente base do governo, dos 21 vereadores eleitos, 18 são desses partidos. Fogem à regra os João Maioral do PDT, Toninho Mineiro do PV e Alan Leal do Patriota que apoiaram os candidatos derrotados á prefeitura, mas que isso não significa também que serão oposição. No mais, ainda estamos longe de uma ampla representatividade popular no legislativo, novamente não elegemos nenhuma mulher, apenas 2 dos vereadores eleitos declararam sua cor como preta, 13 declararam ser brancos e 6 pardos. Demonstrando que ainda estamos muito longe de atingir uma equidade de representação de negros e mulheres nos espaços de poder do nosso município. No que diz respeito presença da classe trabalhadora esse abismo também é perceptível, basta olharmos para a ocupação declarada à Justiça Eleitoral: 4 disseram ter como profissão/ocupação ser vereador, 9 empresários e/ou comerciantes, 1 aposentado, 1 Agricultor, 1 agente de saúde e 5 profissionais liberais, autônomos e empregados. Outras informações sobre os parlamentares: 14 são casados, 6 solteiros e 1 divorciado. Apenas 8 cursaram completamente o Ensino Superior, 8 terminaram o Ensino Médio e também 8 o Fundamental. É uma câmara relativamente jovem, 4 dos vereadores eleitos tem menos de 35 anos, a grande maioria (12) tem entre 36 e 59 anos e 5 deles tem 60 ou mais. As Eleições de 2020 em Sumaré demostraram que podemos sim ver “um museu de grandes novidades”, mas como a própria música nos diz: o tempo não para! A população precisar estar presente junto ao executivo e legislativo postulando suas demandas e acompanhando seus trabalhos.

PS. Os dados foram obtidos do site da Justiça Eleitoral