Violência contra a mulher: pedidos de medidas protetivas mais que triplicam em Sumaré
Levantamento do TJ-SP aponta salto de 133 para 470 solicitações em um ano; especialistas indicam aumento na coragem para denunciar, mas alertam para subnotificação
g1 O enfrentamento à violência doméstica em Sumaré ganhou novos contornos em 2025. Dados recentes do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) revelam um crescimento alarmante, porém necessário, no número de pedidos de medidas protetivas na cidade: o índice mais que triplicou, saltando de 133 pedidos em 2024 para 470 em 2025.
O aumento de aproximadamente 253% reflete uma mudança no comportamento das vítimas e no fortalecimento das redes de apoio. Segundo especialistas em segurança pública e direito da família, o número não significa necessariamente que a violência aumentou na mesma proporção, mas sim que as mulheres estão buscando mais o amparo legal e confiando nos mecanismos de proteção do Estado.
A barreira da subnotificação
Apesar do crescimento expressivo nas estatísticas oficiais, o cenário ainda exige cautela. "O aumento nas denúncias é um sinal positivo de que a informação está chegando e as mulheres estão se sentindo mais encorajadas a romper o ciclo de violência. No entanto, ainda lidamos com uma subnotificação severa, onde muitos casos de violência psicológica, patrimonial e até física permanecem no silêncio do ambiente doméstico", afirma a análise técnica sobre o levantamento.
A medida protetiva é uma ferramenta fundamental da Lei Maria da Penha, permitindo o afastamento do agressor e a proibição de contato com a vítima, sendo muitas vezes o principal recurso para evitar feminicídios.
Panorama Regional
Sumaré acompanha uma tendência observada em outros municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC). O levantamento do TJ-SP abrange 22 cidades da região, mostrando que a busca por proteção judicial é um movimento crescente em todo o interior paulista.
Em cidades vizinhas, como Paulínia e Hortolândia, os números também apresentam viés de alta, consolidando a necessidade de políticas públicas regionais integradas, como o fortalecimento das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e patrulhas específicas da Guarda Civil Municipal (GCM), como a Patrulha Maria da Penha.


COMENTÁRIOS