Sumaré terá mega data center exclusivo para inteligência artificial com investimento de US$ 1,2 bilhão
Projeto da Ascenty deve ser entregue em 18 meses e foi reservado por uma gigante da tecnologia; estrutura terá alta capacidade energética para operações avançadas de IA
Ascenty/Divulgação A cidade de Sumaré, no interior de São Paulo, será sede de um dos maiores projetos de infraestrutura tecnológica voltados exclusivamente para inteligência artificial (IA) no Brasil. Com investimento inicial de US$ 1,2 bilhão, o novo data center da Ascenty, batizado de “Sumaré 3”, foi apresentado oficialmente nesta quarta-feira (27) e promete colocar a região em posição estratégica no cenário da computação avançada e da economia digital.
O empreendimento foi desenvolvido para atender exclusivamente operações de inteligência artificial, segmento que vem impulsionando uma corrida global por estruturas de processamento cada vez mais potentes. Embora a empresa responsável pela ocupação do espaço ainda não tenha sido revelada, a Ascenty confirmou que o local já foi reservado por uma gigante mundial da tecnologia.
Além do valor destinado à construção da infraestrutura, a expectativa é de que a companhia cliente invista cerca de US$ 5 bilhões adicionais em equipamentos, servidores e sistemas especializados para operações de IA.
Estrutura voltada para a nova geração da computação
Diferentemente dos data centers convencionais, utilizados principalmente para armazenamento e processamento tradicional de dados, os centros desenvolvidos para inteligência artificial exigem uma estrutura muito mais robusta em termos de energia elétrica, refrigeração e capacidade computacional.
Na prática, o “Sumaré 3” funcionará como um gigantesco núcleo de processamento para sistemas de IA, responsáveis pelo treinamento de modelos avançados, análise massiva de dados e execução de aplicações complexas, como inteligência generativa, automação, reconhecimento de padrões e aprendizado de máquina.
Segundo a Ascenty, o projeto foi planejado desde o início para suportar as demandas específicas desse mercado. A unidade terá capacidade inicial de 90 megawatts (MW), podendo dobrar futuramente conforme o aumento da demanda.
O CEO da Ascenty, Christopher Torto, explicou que a principal diferença está na densidade energética exigida pelos equipamentos de inteligência artificial. Em um data center tradicional, um rack — estrutura que concentra servidores e equipamentos de rede — normalmente opera com cerca de 8 quilowatts (kW). No caso do Sumaré 3, cada rack poderá operar entre 60 kW e até 1 megawatt (MW), índice muito superior ao padrão atual da indústria.
“Os sistemas de inteligência artificial exigem uma infraestrutura extremamente sofisticada, tanto em energia quanto em refrigeração. É uma nova geração de data centers”, destacou o executivo durante a apresentação do projeto.
Crescimento da inteligência artificial impulsiona investimentos
O anúncio ocorre em meio à forte expansão global do setor de inteligência artificial, impulsionada principalmente pela popularização de ferramentas generativas e pela necessidade crescente de processamento de dados em larga escala.
Nos últimos anos, empresas de tecnologia passaram a disputar capacidade computacional para treinamento de modelos avançados, o que aumentou significativamente a procura por data centers especializados. Esse movimento também elevou a demanda por energia elétrica e soluções de refrigeração mais eficientes, já que os sistemas operam em alta intensidade e geram grandes volumes de calor.
Especialistas apontam que empreendimentos como o de Sumaré refletem uma mudança estrutural no setor tecnológico. A tendência é de que os data centers deixem de ser apenas centros de armazenamento para se tornarem plataformas estratégicas de processamento de inteligência artificial.
Impacto econômico e tecnológico para a região
A instalação do novo data center deve fortalecer o polo tecnológico da Região Metropolitana de Campinas, que já concentra importantes empresas dos setores de telecomunicações, tecnologia e infraestrutura digital.
Além da geração de empregos durante a construção e operação da unidade, o investimento pode atrair novas empresas ligadas à cadeia de tecnologia e inovação para a região. A expectativa também é de avanço em áreas relacionadas à conectividade, energia e serviços especializados.
Embora o nome da empresa ocupante não tenha sido divulgado, o porte do investimento e a capacidade planejada indicam que o empreendimento será voltado para operações globais de grande escala.
Com entrega prevista para os próximos 18 meses, o “Sumaré 3” reforça a crescente importância do Brasil no mapa internacional da infraestrutura digital e evidencia o avanço acelerado da inteligência artificial como principal motor da nova economia tecnológica.


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