Quando uma crise vira manchete
O episódio envolvendo o ator Henri Castelli durante uma prova no BBB reacendeu um tema que costuma aparecer apenas quando vira espetáculo: a crise convulsiva.
Em poucos minutos, as redes se encheram de diagnósticos apressados, opiniões rasas e conselhos perigosos. Pouco se falou sobre o essencial: o ser humano que lá estava, em seu estado mais vulnerável, sob os holofotes e o sentimento de impotência de quem realmente se importa.
Aprendi isso da forma mais difícil.
Em agosto de 2025, minha filha começou a apresentar crises convulsivas. Foi repentino. Sem aviso. Sem manual.
Como mãe, vi meu mundo desabar.
Até então, epilepsia era para mim uma palavra distante, quase abstrata. Bastaram algumas crises para que ela se tornasse parte da nossa rotina, das nossas conversas médicas e dos nossos medos mais profundos.
A cada episódio, o desespero aumentava. Não apenas pelo risco físico, mas pela sensação de não saber o que fazer. A ignorância, nessas horas, também machuca.
Com o tempo, veio o aprendizado forçado. Saí da zona de conforto, estudei, ouvi médicos, observei sinais, aprendi a cuidar. Descobri que calma também é uma forma de proteção.
Hoje, com diagnóstico correto, tratamento adequado e acompanhamento contínuo, pode ter uma vida tranquila. Com dignidade, rotina e futuro.
O caso do ator chama atenção por ser público. O nosso, como o de tantas famílias, acontece longe das câmeras. Ainda assim, a necessidade é a mesma: informação.
Durante uma crise convulsiva, não se deve segurar a pessoa, nem colocar objetos ou dedos na boca. O correto é proteger a cabeça, afastar o que possa ferir e posicioná-la de lado. O serviço de emergência deve ser acionado se a crise durar mais de cinco minutos, se houver repetição ou dúvida diagnóstica.
Não escrevo isso como especialista. Escrevo como mãe.
Convulsão não é espetáculo. Epilepsia não é sentença.
E conhecimento, nesse caso, não é opinião. É cuidado.




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