Quando Uma De Nós Sangra, Todas Nós Sangramos
Eu sou mulher. Eeu sei: quando qualquer uma de nós é ferida, não importa onde ela esteja, nãoimporta quem ela seja — a dor chega até mim. A violência não tem fronteiras,não tem raça, não tem religião. Quando uma mulher leva um tapa, um empurrão,quando é humilhada ou agredida — todas nós levamos essa agressão no peito.Quando uma de nós sangra, todas nós sangramos junto. Porque a nossa dignidade éuma só. Se quebram a dela, ferem a de todas.
E hoje o meucoração aperta ainda mais pelo Afeganistão. Ouvir que ali inventaram uma regracruel e absurda: “pode bater, pode agredir — só não pode quebrar o osso”. Issonão é lei. Isso é barbaridade oficializada. É dizer que a dor, o medo, a marcana alma, o terror de viver cada dia sob a ameaça de mãos violentas — isso nãoimporta. Dizem que só é “errado” se o osso aparecer partido. Mas a gente sabe:a pior ferida não é a que se vê do lado de fora. É a que destrói a alma, quemata a esperança, que rouba a liberdade de existir com dignidade.
Eles querem nosfazer acreditar que isso é “costume”, que é “ordem”. Mas eu digo: nenhumaregra, nenhuma crença, nenhuma desculpa no mundo justificam tocar uma mulhercom violência. Nenhuma! Dizer que “pode bater, só não quebrar o osso” é comodizer que você pode matar alguém devagar, só não pode deixar o corpo frio. Écovardia. É a forma mais baixa de poder sobre quem só quer viver em paz.
Eu sou mulher. Eeu não me calo. Por elas do Afeganistão, por todas que levam tapas escondidosatrás de portas fechadas, por todas que tem medo de falar — eu digo: a sua doré a minha dor. A sua luta é a minha luta. Nenhuma de nós estará sozinha. Porqueenquanto uma de nós for ferida, nenhuma de nós estará realmente livre.
E não aceitamosmais essa mentira: não existe “agressão permitida”. Ou nós somos todas dignas,ou nenhuma de nós é. Quando uma sangra, todas sangram — e juntas, vamos lutarpara que nenhuma mais precise sangrar.



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