Ministério da Saúde suspende aplicação da vacina contra a dengue do Butantan após registros de reações adversas
Medida preventiva foi adotada após notificações de casos graves em pessoas imunizadas; autoridades reforçam que investigações ainda não confirmaram relação direta entre vacina e ocorrências
O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan em todo o país. A decisão passa a valer a partir desta segunda-feira (8) e foi tomada de forma preventiva após o registro de 42 casos de reações adversas entre aproximadamente 500 mil pessoas vacinadas.
Entre os casos investigados estão três ocorrências consideradas graves, incluindo duas mortes suspeitas. Segundo o governo federal, até o momento não há comprovação de que os episódios tenham sido causados diretamente pela vacina, mas os relatos foram suficientes para acionar um protocolo de segurança e ampliar o monitoramento dos imunizados.
A vacina do Butantan começou a ser aplicada no início deste ano e representa um marco para a saúde pública brasileira por ser o primeiro imunizante contra a dengue desenvolvido integralmente no país e administrado em dose única. Grande parte das doses distribuídas foi destinada a profissionais da saúde que atuam na atenção primária.
Orientação para quem recebeu a vacina
O Ministério da Saúde recomenda que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem acompanhamento em uma unidade de saúde para observação e monitoramento de possíveis reações. A orientação é que os pacientes fiquem atentos a sintomas considerados sinais de alerta.
Entre os principais sintomas que exigem avaliação médica estão:
- Febre;
- Dor abdominal intensa e persistente;
- Vômitos frequentes;
- Tontura;
- Sangramentos;
- Sonolência excessiva;
- Irritabilidade;
- Sinais de desidratação;
- Piora repentina do estado geral de saúde.
As autoridades destacam que o aparecimento desses sintomas não significa necessariamente que haja relação com a vacinação, mas reforçam a importância da avaliação médica imediata.
Monitoramento será ampliado
A partir desta terça-feira (9), o Ministério da Saúde iniciará um monitoramento mais rigoroso de pacientes atendidos na rede hospitalar. O acompanhamento incluirá casos de dengue em pessoas recentemente vacinadas, pacientes que apresentem sinais de agravamento da doença e também eventuais óbitos relacionados à investigação.
A estratégia prevê análise dos casos por lote de vacina, unidade de saúde e região atendida, permitindo uma avaliação mais detalhada sobre a segurança do imunizante.
Dados em análise
De acordo com informações divulgadas pelo governo, cerca de 3.703 pessoas vacinadas apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a aproximadamente 0,7% do total de imunizados. Já os casos considerados mais preocupantes representam uma parcela muito menor, cerca de 0,008% dos vacinados.
Durante coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que as investigações realizadas até agora não encontraram elementos suficientes para estabelecer uma relação de causa e efeito entre a vacina e os casos graves registrados.
Butantan apoia suspensão temporária
Em nota oficial, o Instituto Butantan informou que seguirá a recomendação do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), colaborando com todas as etapas da investigação.
A instituição destacou que a suspensão tem caráter preventivo e busca garantir a máxima segurança da população enquanto os dados são reavaliados pelos órgãos responsáveis.
Apesar da interrupção temporária da vacinação, o Ministério da Saúde reforça que as pessoas já imunizadas continuam protegidas contra a dengue e que a medida foi adotada por precaução até a conclusão das análises técnicas.


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