Paciente chega à 35ª semana de gestação após curetagem e denuncia falta de acompanhamento no Hospital Estadual de Sumaré
Mulher de 40 anos afirma que recebeu diagnóstico de gestação sem embrião e foi submetida ao procedimento em fevereiro; hospital abriu sindicância para apurar o atendimento
HES/UNICAMP Uma mulher de 40 anos, atualmente na 35ª semana de gestação, afirma ter descoberto que continuava grávida 19 dias depois de passar por uma curetagem no Hospital Estadual de Sumaré (HES). O procedimento ocorreu em fevereiro, após exames apontarem, segundo o relato da paciente, uma gestação que não havia evoluído.
O caso veio a público novamente após a gestante relatar dificuldades no acompanhamento de pré-natal de alto risco. Segundo ela, consultas foram canceladas sucessivamente sob a justificativa de falta de profissionais. O hospital informou que abriu uma sindicância para apurar a conduta da equipe envolvida no atendimento e que, caso sejam identificadas irregularidades, serão adotadas as medidas cabíveis.
Diagnóstico e procedimento
De acordo com o relato da paciente, a primeira ultrassonografia foi realizada em 19 de fevereiro, em uma unidade particular, e apontou uma gestação sem evolução embrionária.
Depois, ela procurou o Hospital Estadual de Sumaré e passou por novos exames. Ainda segundo a mulher, os resultados apresentados pela equipe indicaram novamente que não havia desenvolvimento do embrião.
Na madrugada de 25 de fevereiro, ela foi submetida a uma curetagem uterina. Conforme o relato, o documento de alta registrou que o procedimento ocorreu sem intercorrências.
Após deixar o hospital, porém, a paciente afirma que continuou apresentando dores e cólicas. Diante da persistência dos sintomas, sua família decidiu buscar uma nova avaliação médica.
Ultrassom identificou feto vivo
Dezenove dias depois da curetagem, a mulher realizou um novo ultrassom na Maternidade de Campinas. O exame identificou um feto com batimentos cardíacos e idade gestacional estimada em aproximadamente sete semanas e três dias.
A descoberta causou surpresa à família, que acreditava que a gestação havia sido interrompida.
Após retornar ao Hospital Estadual de Sumaré para comunicar o resultado, a paciente afirma que recebeu orientação para iniciar acompanhamento de pré-natal de alto risco. Segundo ela, o atendimento passou a considerar as circunstâncias do procedimento e o histórico de saúde da gestante.
Relatos de dificuldades no acompanhamento
Na reta final da gravidez, a paciente afirma que passou a enfrentar problemas para manter o acompanhamento médico.
Segundo o relato, as consultas no ambulatório de pré-natal de alto risco foram canceladas em diferentes ocasiões. Ela também afirma que os atendimentos presenciais passaram a ser realizados por profissionais diferentes e que algumas consultas foram muito breves.
A gestante diz ainda ter enfrentado dificuldades para receber orientações sobre medicamentos utilizados no tratamento da anemia e questiona a assistência recebida após sofrer um acidente de carro.
Na ocasião, segundo seu relato, ela bateu a cabeça e apresentou sangramento. A paciente afirma que permaneceu aguardando atendimento e posteriormente foi orientada a procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
O último atendimento presencial mencionado pela gestante teria ocorrido em 26 de agosto.
Segundo caso divulgado neste ano
O episódio é o segundo caso semelhante envolvendo o Hospital Estadual de Sumaré que veio a público em 2026.
Em agosto, outra paciente relatou ter recebido diagnóstico de aborto espontâneo e passado por uma curetagem na unidade. Cerca de um mês depois, um exame confirmou que o feto permanecia vivo. Na ocasião, a gestação passou a ser considerada de alto risco, e o hospital também informou a abertura de uma sindicância para investigar o atendimento.
Apesar da existência de dois casos divulgados, as circunstâncias de cada atendimento são diferentes e as investigações ainda não haviam sido concluídas. Portanto, não há, até o momento, conclusão oficial sobre eventual responsabilidade ou falha sistemática na unidade.
Hospital afirma que acompanha paciente
Em posicionamento sobre o caso atual, o Hospital Estadual de Sumaré informou que lamenta o ocorrido e que instaurou uma sindicância para apurar a conduta dos profissionais responsáveis pelo atendimento.
A instituição afirmou que, caso sejam constatadas irregularidades, as medidas cabíveis serão adotadas.
Sobre a situação atual da gestante, o hospital informou que ela está em acompanhamento de pré-natal e que uma nova consulta está prevista para esta quarta-feira (30).
Enquanto aguarda o nascimento da filha, a paciente afirma que vive sentimentos de preocupação e expectativa. Ela relata receio em relação ao atendimento no momento do parto, mas também destaca a felicidade por ter conseguido levar a gestação adiante.
As circunstâncias relacionadas ao diagnóstico inicial, à realização da curetagem e ao acompanhamento posterior ainda dependem da conclusão da sindicância aberta pelo hospital.



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