Agosto Lilás: é hora de dar um “basta” aos valentões! Contribuir na luta contra a violência doméstica é um dever de todos nós
Tem homem por aí que acha que gritar com mulher é prova de força. Que levantar a mão mostra autoridade. Que intimidar, controlar e agredir é sinal de masculinidade. São os "valentões", esses machos frágeis que, sem saber lidar com frustração, canalizam sua covardia contra quem está mais próxima e vulnerável.
Em Natal, o ex-jogador Igor Eduardo Cabral desferiu 61 socos no rosto da namorada dentro de um elevador. Sessenta e um. Isso não é um “surto”. Isso é selvageria. É tentativa de assassinato. E ainda teve gente argumentando que ele deveria cumprir prisão domiciliar. Domiciliar? Depois de quase matar uma mulher com as próprias mãos?
Mas não precisamos ir tão longe. Aqui em Paulínia, tivemos o caso brutal da Francine de Souza Santiago, de 40 anos. Foi morta dentro da própria casa, com sinais de estrangulamento. O assassino? O próprio marido, agora condenado a 18 anos. Francine tentava se separar. Tentava viver. Mas cruzou o caminho de um “valentão” que achava que mulher é posse. Que dizia “ou é minha ou de mais ninguém”. E a matou.
É esse o perfil. O covarde travestido de macho. O fraco que nunca aprendeu o que é amor, respeito ou limite. O agressor que esconde sua insegurança por trás da violência. Esses homens não são casos isolados: são um problema estrutural, social e cultural. São nossos vizinhos, colegas e parentes.
E aí vem agosto. Campanha lilás, discurso bonito e prédio iluminado. Depois? Volta tudo pro silêncio, pro medo e pro caixão. Campanha não basta. Precisamos de ação, estrutura e enfrentamento real. Precisamos de lei que funcione, delegado que atenda, psicólogo que acolha e rede que proteja.
E, principalmente, precisamos educar meninos para que nunca se tornem esses homens. Porque valentão de verdade não bate em mulher. Quem bate em mulher é covarde. É escória. É caso de cadeia.
Neste Agosto Lilás, que cada um de nós seja um ponto final nesse ciclo nojento. Denuncie, acolha, intervenha. Não normalize. Não silencie!
Porque não dá mais para assistir Julianas sendo espancadas e Francines sendo enterradas enquanto a sociedade passa pano para monstros de camiseta polo e sorriso falso.
Francine, Juliana e tantas outras exigem mais que comoção. Exigem justiça. Exigem ação. Exigem coragem.
Exigem respeito.




COMENTÁRIOS