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Sumaré,09/03/2026

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Quando o Dia da Mulher virou dia de flores?

Quando o Dia da Mulher virou dia de flores?

Como mulher e mãe, aprendi cedo que igualdade não é um conceito abstrato. Ela aparece ou desaparece nas oportunidades, no trabalho, na segurança e no respeito do cotidiano. Aparece quando uma mulher é ouvida. Desaparece quando precisa provar duas vezes que é capaz.

Talvez por isso o Dia Internacional da Mulher nunca tenha sido apenas uma data no calendário para mim.

A origem dessa data está nas ruas, nas fábricas e nas manifestações por direitos básicos. Mulheres que exigiam algo simples e ao mesmo tempo revolucionário: condições dignas de trabalho, salários justos, participação política e,principalmente, respeito. Não era uma celebração. Era uma reivindicação. Era a tentativa de transformar indignação em mudança.

Com o passar do tempo, algo curioso aconteceu. A luta foi sendo substituída pela celebração.

Empresas publicam mensagens inspiradoras. Campanhas exaltam força, coragem e determinação. Redes sociais se enchem de frases bonitas. Reconhecer conquistas é importante. Valorizar trajetórias também. Mas existe uma pergunta que não sai da minha cabeça quando chega o 8 de março.


Inspiração resolve desigualdade?

Dados recentes da Organização das Nações Unidas mostram que a igualdade plena entre homens e mulheres ainda está distante em grande parte do mundo. Diferenças salariais persistem, a violência de gênero continua sendo uma realidade cotidiana e a presença feminina em posições de liderança ainda está longe do equilíbrio.

Esses números não são apenas estatísticas. Eles são histórias reais. Estão nas experiências de mulheres que precisam equilibrar trabalho e maternidade como se fosse uma prova diária. Estão nas que foram interrompidas em reuniões, nas que receberam salários menores pelo mesmo trabalho e nas que tiveram sua competência questionada antes mesmo de serem ouvidas.

A própria história do Dia Internacional da Mulher carrega esse contraste. A data nasceu como mobilização social por direitos. Hoje, em muitos contextos, aparece mais em campanhas institucionais do que em debates estruturais.


Existe um paradoxo evidente nisso tudo.

Celebrar é importante. Reconhecer conquistas também. O problema surge quando a homenagem ocupa o espaço que deveria ser da transformação.

Flores são bonitas. Mas não mudam estruturas.

Igualdade não nasce de frases inspiradoras. Nasce de políticas públicas, de decisões institucionais e de mudanças culturais profundas. Nasce quando meninas crescem acreditando que podem ocupar qualquer espaço. Nasce quando mulheres deixam de ser exceção em posições de liderança e passam a ser parte natural delas.

Talvez por isso seja mais confortável transformar a data em celebração.

Celebrar exige menos do que mudar.

O Dia Internacional da Mulher continua existindo por uma razão simples. A igualdade ainda não chegou. Enquanto isso for verdade, o 8 de março não deveria ser apenas um momento de homenagem.

Deveria ser também um momento de memória, consciência e responsabilidade coletiva.





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