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Sumaré,21/06/2026

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Quando a Justiça decide, mas uma mãe continua perguntando

Quando a Justiça decide, mas uma mãe continua perguntando

Há notícias que a gente lê e segue o dia. Outras ficam na cabeça. O julgamento do caso Henry Borel é uma delas.

Li sobre a decisão e a primeira reação não foi jurídica. Foi de mãe.

E talvez seja justamente aí que mora o desconforto que tantas pessoas sentiram nos últimos dias. Porque a Justiça tem o dever de decidir com base na lei, nas provas e nos limites do processo. Ela não pode decidir com base na emoção. Mas quem é mãe, quem já segurou uma criança no colo, quem já acordou no meio da noite só para confirmar se o filho estava respirando, inevitavelmente olha para uma história como essa por outro lugar.

Olha pelo lugar da proteção.

Quando nasce um filho, nasce também uma espécie de vigilância silenciosa. A gente aprende a perceber o choro diferente, o olhar diferente, o silêncio diferente. Aprende que criança nem sempre sabe explicar dor, medo ou sofrimento. Muitas vezes ela só muda o comportamento e espera que algum adulto entenda.

Por isso, em casos envolvendo crianças, existe uma pergunta que insiste em aparecer: quem viu os sinais?

Não é uma pergunta jurídica. É uma pergunta humana.

Porque criança pequena não escolhe onde mora, com quem fica ou quando pedir ajuda. Criança confia. Criança espera que os adultos enxerguem o que ela ainda não consegue dizer.

Talvez seja por isso que esse caso tenha provocado tanta comoção e continue provocando. Não porque as pessoas queiram substituir tribunais. Não porque a opinião pública deva decidir processos. Mas porque existe algo que permanece mesmo depois da sentença: a sensação de que, quando uma criança está vulnerável, todos nós esperamos que alguém perceba antes.

Quem é mãe conhece esse sentimento.

A gente olha para os filhos dos outros e pensa nos nossos.

Imagina o uniforme pequeno pendurado atrás da porta.

O copo de plástico na pia.

O desenho inacabado.

A rotina interrompida.

E, de repente, toda discussão jurídica parece esbarrar em um fato simples e impossível de ignorar: Henry tinha quatro anos.

Quatro anos.

Uma idade em que se dorme abraçado com um brinquedo, se pede ajuda para amarrar o tênis e se acredita que os adultos conseguem proteger o mundo.

Talvez por isso algumas perguntas continuem depois que o processo termina.

Não para desafiar a Justiça.

Mas para lembrar que proteger crianças nunca foi apenas uma obrigação legal.

Sempre foi, antes de tudo, um compromisso humano.





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