Polícia apura se cirurgia realizada por engano contribuiu para morte de idosa em hospital de Campinas
Paciente de 76 anos passou por procedimento destinado a outra pessoa e morreu três dias depois; investigação busca esclarecer falhas que levaram à troca de pacientes
Reprodução/EPTV A Polícia Civil de Campinas (SP) abriu uma investigação para apurar as circunstâncias de uma cirurgia realizada por engano no Hospital Beneficência Portuguesa e verificar se o procedimento teve relação com a morte da paciente Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos.
O caso veio à tona após a família da idosa registrar um boletim de ocorrência e prestar depoimento. O inquérito foi instaurado como homicídio culposo — quando não há intenção de matar — e busca identificar possíveis responsabilidades dos profissionais envolvidos no atendimento.
Jandira estava internada para tratar uma obstrução intestinal provocada pelo retorno de um câncer de cólon. No dia 8 de julho, ela foi submetida a uma gastrostomia endoscópica, procedimento que consiste na colocação de uma sonda diretamente no estômago para alimentação ou drenagem de líquidos. Segundo a investigação, a cirurgia teria sido indicada para outra paciente.
A idosa morreu três dias após o procedimento. Agora, a polícia pretende ouvir médicos, enfermeiros e demais profissionais que participaram do atendimento para entender como ocorreu a troca de pacientes dentro da unidade hospitalar e quais falhas contribuíram para o episódio.
Hospital admite erro e abre investigação interna
Em nota, o Hospital Beneficência Portuguesa confirmou que houve um equívoco durante o atendimento e informou que iniciou uma sindicância interna para apurar o caso. A instituição também declarou ter adotado medidas administrativas envolvendo os profissionais responsáveis.
O hospital afirmou ainda que uma avaliação médica interna apontou que a cirurgia realizada não teria alterado o quadro clínico da paciente nem o prognóstico da doença.
Conselhos profissionais também investigam o caso
Além da apuração policial, o episódio passou a ser analisado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP).
O Cremesp instaurou uma sindicância para avaliar a conduta dos médicos envolvidos. Já o Coren-SP informou que iniciou os procedimentos de apuração previstos na Resolução Cofen nº 706/2022, que regulamenta investigações de possíveis infrações éticas cometidas por profissionais de enfermagem.
As investigações devem apontar as responsabilidades individuais e esclarecer quais protocolos de segurança deixaram de ser seguidos no atendimento da paciente.



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