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Sumaré,20/08/2026

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Mulher descobre gravidez após passar por curetagem por suposto aborto em Sumaré

Paciente afirma que recebeu diagnóstico de aborto espontâneo sem realizar ultrassonografia e só soube que o bebê estava vivo cerca de um mês depois; Hospital Estadual abriu sindicância

Fonte: G1 Campinas
Mulher descobre gravidez após passar por curetagem por suposto aborto em Sumaré Reprodução/EPTV

Uma moradora de Sumaré viveu uma situação inesperada e delicada após ser submetida a uma curetagem no Hospital Estadual de Sumaré (HES), em julho, depois de receber o diagnóstico de um suposto aborto espontâneo. Cerca de um mês depois, a paciente descobriu, por meio de um novo exame, que a gestação continuava e que o feto apresentava batimentos cardíacos.

Segundo o relato da mulher, a gravidez havia transcorrido normalmente até então. Um exame realizado em junho, no Hospital Municipal de Paulínia, havia identificado uma gestação de seis semanas e cinco dias, com o embrião em desenvolvimento.

A situação mudou no dia 12 de julho. A paciente conta que acordou com sangramento, mas não sentia dores. Por precaução, procurou atendimento no Hospital Estadual de Sumaré.

De acordo com ela, após um exame físico, a médica teria informado que havia ocorrido um aborto espontâneo. A paciente afirma que não foi submetida a uma ultrassonografia antes da conclusão do diagnóstico.

Ainda no mesmo dia, ela passou pelo procedimento de curetagem, realizado para retirar o conteúdo do interior do útero.

Gravidez descoberta novamente

A continuidade da gestação só foi percebida semanas depois, em agosto. A mulher precisava realizar um teste de gravidez antes de receber uma aplicação de anticoncepcional injetável. O exame de sangue apresentou resultado positivo.

Diante do resultado, ela foi encaminhada para uma ultrassonografia de urgência. O exame identificou batimentos cardíacos fetais de 157 batimentos por minuto e estimou o peso do feto em aproximadamente 170 gramas.

O exame, porém, apontou uma situação considerada grave: ausência total de líquido amniótico.

A paciente afirma que, após a descoberta, profissionais que a acompanharam levantaram a possibilidade de que a curetagem tivesse provocado a perfuração da bolsa amniótica e, consequentemente, a perda do líquido.

Gestante recusou interrupção

Segundo o relato da mulher, diante da ausência de líquido amniótico, foi apresentada a possibilidade de interromper a gestação, considerando os riscos envolvidos para a mãe e para o desenvolvimento do bebê.

Ela, no entanto, decidiu não realizar a interrupção e afirma que pretende continuar a gravidez enquanto houver possibilidade.

“Você pensar que perdeu um bebê e saber que o bebê ainda está dentro de você. Isso não tem explicação”, relatou a paciente.

Em outro momento, ela afirmou que recebeu pedidos de desculpas após a descoberta, mas que a situação provocada pelo diagnóstico e pelo procedimento trouxe consequências que, segundo ela, não podem ser revertidas.

Hospital abre sindicância

Procurado sobre o caso, o Hospital Estadual de Sumaré informou que lamenta o ocorrido e que abriu uma sindicância para investigar a conduta da equipe responsável pelo atendimento.

Segundo o hospital, o procedimento interno deverá apurar as circunstâncias relacionadas à assistência prestada à paciente. Caso sejam identificadas irregularidades, a unidade informou que as medidas cabíveis serão adotadas.

O HES também afirmou que prestou acolhimento à mulher e aos familiares, oferecendo apoio e esclarecimentos sobre o caso.

A unidade reforçou ainda o compromisso com uma assistência considerada qualificada, humanizada e segura à população.

Caso será apurado

A situação agora deverá ser analisada pela sindicância aberta pelo Hospital Estadual de Sumaré. O caso envolve o diagnóstico inicial de aborto, a realização da curetagem e a posterior identificação da continuidade da gestação.

Enquanto a investigação não é concluída, não há, até o momento, uma conclusão oficial sobre as circunstâncias que levaram ao diagnóstico inicial ou sobre a origem da perda do líquido amniótico.

A paciente permanece acompanhando a evolução da gestação e decidiu manter o tratamento e o acompanhamento médico diante do quadro apresentado nos exames.




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