Gestantes de alto risco relatam cancelamentos de consultas após saída de obstetras do Hospital Estadual de Sumaré
Pacientes afirmam enfrentar dificuldades no acompanhamento do pré-natal; hospital confirma desligamento de 18 médicos em setembro e diz ter recomposto a equipe
Gestantes de alto risco atendidas pelo Hospital Estadual de Sumaré (HES) relatam dificuldades para manter o acompanhamento do pré-natal após mudanças no quadro de profissionais da unidade. Segundo pacientes, consultas foram canceladas ou remarcadas, causando preocupação entre mulheres que precisam de acompanhamento regular durante a gravidez.
Uma das pacientes é uma mulher de 40 anos que chegou à 35ª semana de gestação após ter passado por uma curetagem no próprio hospital, em fevereiro, depois de receber o diagnóstico de uma gravidez sem evolução. Dias depois, exames confirmaram que a gestação continuava. Desde então, ela passou a ser acompanhada como gestante de alto risco, mas afirma ter enfrentado dificuldades para manter as consultas.
A paciente relata que passou por atendimentos com médicos diferentes e teve consultas canceladas ao longo do acompanhamento. Ela também afirma ter encontrado dificuldades para receber orientações sobre os cuidados necessários durante a gestação.
Segundo caso registrado em 2026
A situação ocorre no mesmo hospital onde, em agosto, outra paciente descobriu que continuava grávida após receber um diagnóstico de aborto espontâneo e ser submetida a uma curetagem.
Os dois casos ocorreram em 2026 e envolvem pacientes que posteriormente descobriram que as gestações haviam continuado. As situações foram encaminhadas para apuração pela unidade.
Hospital confirma desligamento de médicos
O Hospital Estadual de Sumaré confirmou que houve um desfalque na equipe de ginecologia e obstetrícia em setembro, após o desligamento de 18 profissionais.
Segundo a unidade, as vagas foram recompostas ao longo do mês e o serviço conta atualmente com 45 médicos. O hospital também informou que está reorganizando as agendas para ampliar a oferta de consultas de pré-natal e que as gestantes têm prioridade no agendamento.
Entre janeiro e agosto de 2026, foram realizadas 1.821 consultas ambulatoriais de ginecologia e obstetrícia, sendo 1.136 de pré-natal. No mesmo período, a unidade registrou 3.621 atendimentos de urgência, 1.430 partos e 668 cirurgias.
O hospital afirma que a reorganização da equipe busca reduzir os impactos provocados pela mudança no quadro de profissionais e garantir a continuidade do acompanhamento das gestantes atendidas pela unidade.


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