Entre o Direito e o Preconceito: Por que Advogados Criminalistas Ainda São Vistos com Desconfiança?
Eles vestem a beca, enfrentam tribunais e defendem um dos pilares mais fundamentais da democracia: o direito à ampla defesa. Ainda assim, muitos advogados criminalistas são alvo de olhares tortos, comentários maldosos e até ameaças veladas. Para parte da sociedade, quem defende um acusado de crime grave está, de alguma forma, “do lado errado”. Mas será mesmo?
Essa visão distorcida, alimentada por estigmas antigos e por uma cultura cada vez mais punitivista, ignora um fato essencial: sem defesa, não há justiça.
O advogado não é o crime
A Constituição brasileira é clara: todo cidadão tem direito a um julgamento justo, com defesa técnica e imparcialidade. E é aí que entra o advogado criminalista — não como cúmplice, mas como guardião desse direito.
Mesmo assim, o estigma persiste. Muitos profissionais relatam situações em que foram julgados não pelo que fazem, mas por quem defendem. “Já ouvi de conhecidos: ‘Como você consegue dormir à noite?
Mas ninguém pergunta isso ao médico que atende um assassino ou ao psicólogo que trata um estuprador. Por que só o advogado é visto como cúmplice?
A raiz do preconceito
Parte da resposta está na forma como o sistema penal é retratado na mídia e no imaginário popular. Séries policiais, manchetes sensacionalistas e redes sociais inflamadas reforçam a ideia de que justiça só se faz com punição rápida — e que quem defende o acusado está atrapalhando.
“Vivemos uma cultura do linchamento moral. As pessoas querem culpados, não processos. E isso é perigoso”, alerta a professora de Direito Penal, Ana Beatriz Faria. “Sem defesa, qualquer um de nós pode ser vítima de uma injustiça.”
Justiça para todos — inclusive para quem erra
O trabalho do criminalista vai além de defender culpados ou inocentes. Ele é essencial para garantir que o Estado não ultrapasse seus limites, que provas ilegais sejam descartadas, que prisões arbitrárias sejam evitadas. Em outras palavras: ele protege a todos nós.
Casos emblemáticos mostram como a atuação desses profissionais pode mudar destinos. Pessoas condenadas injustamente, vítimas de erros judiciais ou de investigações malconduzida só conseguiram reverter suas situações graças à atuação firme de advogados da área criminal.
“DEFENDER É UM ATO DE CORAGEM”
Para quem escolhe essa profissão, o desafio vai além do tribunal. É preciso lidar com o peso emocional dos casos, com a pressão social e com a constante necessidade de explicar que defender alguém não é o mesmo que absolvê-lo moralmente.
“Defender é um ato de coragem. É estar do lado da lei mesmo quando todos querem vingança”, resume Mariana Lopes.
Enquanto a sociedade não compreender que o direito à defesa é um direito de todos — inclusive dos que erram —, continuaremos confundindo justiça com punição. E nesse caminho, quem perde somos todos nós.
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